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Mensagem da Presidente

 

A ideia de que o Mundo poderia sair melhor após a pandemia foi acalentada por todos os que trabalhamos na Saúde. Foram dois anos de enormes exemplos de comunicação de ciência, de partilha de conhecimento, de solidariedade, de lições para como fazer, dizer, cuidar, ajudar e tratar doentes e famílias, de como dividir tarefas, dividir estruturas para poder tratar todos, de como aprender depressa o básico e adaptar-se, enfim muitas lições que se produziram durante dois anos e que nos serviram para ver melhor a nossa capacidade plástica, a nossa adaptabilidade, o nosso conhecimento e avaliar a nossa vontade.

Os Cuidados de Saúde Primários foram mobilizados para a vacinação em massa da população “livre” ou institucionalizada, mobilizados para falar com os doentes, acompanhar a doença no domicílio, utilizar as novas tecnologias de comunicação direta, suportar a saúde pública. Agora estão e devem estar a abrir as portas dos seus Centros de Saúde para que voltem os doentes aos seus médicos, para uma relação médico doente que se baseia e sempre implicou, olhar, ver, observar, palpar, ouvir, falar e conversar, o que só pode ser feito frente a frente e lado a lado.

Os hospitais, e o CHLO em particular, mobilizou-se por inteiro, mudaram-se e “inventaram-se” enfermarias e Unidades de Cuidados Intensivos, circuitos para doentes Covid e não Covid, para doentes oncológicos, para grávidas, mudaram-se serviços, pessoas passaram a trabalhar fora do seu hospital, acrescentaram-se competências, protegeram-se alguns dos profissionais, estivemos alerta 24 horas, todos os dias. Tudo e todos durante dois anos. Trataram-se milhares de doentes Covid, e milhares de doentes não Covid, e nestes fazer procedimentos complexos, cirurgias diferenciadas, transplantes renais e de coração, tratar doentes oncológicos, ter a alegria de fazer partos nestes tempos, enfim ser hospitais de primeira linha organizados para tratar doentes que precisavam.

Foi ainda possível e reforçada a Investigação Científica Clínica, com mais estudos, com mais ensaios, com mais publicações. Manteve-se o ensino, ainda que também aqui e de um dia para o outro, foi preciso saber ensinar e aprender à distância, comunicar bem Medicina, num desafio enorme.

No fim destes dois anos precisamos de pensar, e fizemos um novo regulamento interno, tentamos aproximar ainda mais os 3 hospitais que compõe esta Unidade, serem complementares em tudo, robustecer áreas que nos suportam na atividade do dia a dia, melhorar a informação, a comunicação, investir em eficiência e qualidade, enfim projetar o futuro.

O corolário de 2 anos de pandemia, e ainda não da pandemia ela própria, não deveria nem poderia ser uma Guerra na Europa, que é estúpida e cruel, e que não nos deixa espaço para saber como “habitar o futuro”. Temos esperança em habitá-lo em paz, continuando o trabalho de todos, cabendo a cada um essa construção do CHLO e da paz que queremos no dia a dia.

Bem hajam.

Rita Perez