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História

 

O Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E. foi criado em 29/12/2005, os hospitais que o compõem têm uma história individual de alguma décadas. Integrando os Hospitais de Egas Moniz, de Santa Cruz e de São Francisco Xavier, o Centro Hospitalar dispõe de todas as valências de cuidados de saúde diferenciados, beneficiando da reconhecida qualidade assistencial dessas unidades hospitalares.

 

Hospital de Egas Moniz

História do Hospital de Egas Moniz 

 

A independência do Brasil, em 1822, veio desferir um rude golpe no Império Colonial  Português, que até à data, e passado o período dos Descobrimentos, fizera Portugal alicerçar a sua economia na riqueza daquela colónia. Havia pois que encontrar "novos Brasis". O que restava do Império não eram territórios desprezíveis na sua dimensão. Mas do ponto de vista económico e do seu desenvolvimento não tinham qualquer expressão. Os "Domínios Asiáticos" constavam das parcelas de Salsete, Bardês, Goa, Damão, Diu, dos estabelecimentos de Macau e das ilhas de Solor e Timor, constituindo, no seu todo, um único governo geral. Os "Domínios Africanos" consistiam num conjunto de territórios espalhados pelas áreas Africano-Atlântica e Índica, constituindo, no seu todo, três governos gerais o de Cabo Verde e Guiné, o de Angola e o de Moçambique e um governo particular o de São Tomé e Príncipe e São João Baptista de Ajudá.

A viragem a África, já que do Oriente pouco havia a esperar, toma corpo com o projeto global de fomento ultramarino impulsionado por Sá da Bandeira. Nessa linha, iniciam-se as viagens de exploração, como as de Capello e Ivens, e tomam-se medidas conducentes à efetiva exploração e desenvolvimento desses territórios. Para tal, e dada a resistência oferecida pelas tribos locais, iniciam-se campanhas militares com vista à sua pacificação e que vão progressivamente envolver contingentes militares significativos.

A nível internacional a Europa "acorda" para África, passando a repartir o continente entre as grandes potências de então: Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica e Itália. Um movimento que se cristaliza na Conferência de Berlim, na qual se abandona o argumento histórico, em que Portugal sempre alicerçara os seus direitos, e se adota o princípio da ocupação efetiva. Doravante, toda a nação europeia que tomasse posse de uma zona da costa africana ou nela estabelecesse um "protetorado", teria que notificar esse facto aos restantes signatários, para que as suas pretensões fossem ratificadas. Além disso, o ocupante deveria provar que dispunha de "autoridade" suficiente para fazer respeitar os direitos vigentes e, se fosse o caso, a liberdade de comércio e de trânsito. Por outro lado, o Tratado Anglo-Alemão de 1886 introduziu a noção de "esferas de influência", à qual se acrescentava a de "hinterland", que permitia a ocupação de áreas interiores ilimitadas às nações possuidoras das correspondentes áreas costeiras.

A este contexto internacional, Portugal via a sua ação dificultada por uma crise interna, de natureza política, social e económica. Tendo visto negado o seu projeto do "Mapa Cor de Rosa", unindo as duas costas africanas entre Angola e Moçambique, concentrou-se então na efetiva ocupação e desenvolvimento dos territórios que lhe foram reconhecidos internacionalmente.

 

O Hospital Colonial de Lisboa, sob a égide do Ministério das Colónias, foi criado por Carta de Lei. de 24 de Abril de 1902. e inicialmente ficou instalado no edifício da Cordoaria, onde também funcionava o Instituto de Medicina Tropical. Tinha como objectivo dar assistência médica a funcionários civis e militares, que regressavam do Ultramar em condições físicas deploráveis com doenças infecciosas.

 

Em 1919, o Estado adquire a Quinta do Saldanha à Junqueira para aí construir um Pavilhão de Internamento, que foi inaugurado em 1925 e que, por ter sido construído a expensas de Macau, recebeu o seu nome. Nos edifícios existentes da quinta funcionava a enfermaria tropical que se destinava a tratar indigentes vindos do Ultramar.  Em 1948, por despacho do Sr. Ministro do Ultramar (tinha-se entretanto mudado o nome do Ministério, o que consequentemente mudou também o nome do Hospital), decidiu-se aumentar o Hospital do Ultramar, com serviço de cirurgia, pavilhão de doenças infecto-contagiosas, radiologia e análises clínicas.

  

Em 1953 concluiu-se o Pavilhão de Doenças Infecto-Contagiosas que ficou separado do edifício principal. Atualmente está ligado ao restante hospital por um corredor de acesso que designamos por "manga". Em 1957 é inaugurado o Hospital do Ultramar com a conclusão das obras do edifício de Medicina e Cirurgia e restantes serviços. A sua construção aproveitou o então pavilhão de Macau que atualmente não é visível.

 

O hospital ficou organizado por serviços de 1.ª, 2.ª e 3.ª classe, por um Pavilhão de Doenças Infecto-Contagiosas e pela Enfermaria Tropical (Tropical Homens e Tropical Mulheres). O hospital tinha como objetivo não só o tratamento dos doentes, mas também, em colaboração com o Instituto de Medicina Tropical dedicava-se à investigação e ao ensino pós- graduado em doenças tropicais e infecciosas, para os médicos que se deslocavam para o Ultramar.  
Em finais da década de 60 o Hospital do Ultramar já não conseguia corresponder às muitas solicitações, pelo que se decidiu construir um novo edifício de 8 pisos, que ligado ao edifício velho fez desaparecer a sua entrada. Este edifício entrou em actividade em 06/03/1975 e por força da extinção do Ministério do Ultramar passou para a dependência do Ministério dos Assuntos Sociais (D.L. 506B/175), tendo passado a designar-se por Hospital de Egas Moniz (Portaria nº 623/74), uma vez que nesse ano ocorria o centenário do Prof. Egas Moniz. Em 2002  através do Decreto-Lei n.º 278/2002, de 9 de dezembro,  o hospital é transformado em sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, com a designação de Hospital de Egas Moniz, S.A.. Em 29 de dezembro de 2005, o hospital foi integrado no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E., juntamente com os Hospitais de Santa Cruz e de São Francisco Xavier.

Hospital de Santa Cruz

História do Hospital de Santa Cruz

 

O Hospital de Santa Cruz, que comemorou em 2005 o seu 25.º aniversário, iniciou a sua atividade a 23 de abril de 1980, nas instalações de uma clínica privada criada nos anos 60 e que se encontrava desativada na sequência do 25 de abril de 1974. O projeto que esteve na sua origem era o de colmatar as carências que se faziam sentir em Portugal, nessa época, em termos de procedimentos altamente diferenciados nas áreas da cardiologia (médica e cirúrgica) e da nefrologia, situações em que era frequentemente necessário recorrer ao estrangeiro. Assim, o novo hospital estrutura-se a partir destas especialidades, sob a direcção de personalidades de referência nas respetivas áreas, numa perspetiva de diferenciação técnica e de inovação tecnológica.

Entre outros procedimentos em que o hospital foi pioneiro, destacam-se no seu historial a realização da primeira angioplastia coronária e do primeiro transplante cardíaco em Portugal, em 1984 e 1986, respetivamente. 

O Hospital de Santa Cruz tem também vindo a desempenhar um dos papéis mais importantes em Portugal na área da transplantação renal, desde a realização do primeiro transplante em 1985. Mais recentemente, o transplante renal com dador vivo tem vindo a assumir um papel de importância crescente, tendo sido o Hospital de Santa Cruz o primeiro neste tipo de casuística no país.

Desde as suas primeiras equipas diretivas que a filosofia orientadora foi a de criar um espírito novo e um sentimento de envolvência laboral, que conjugasse a excelência e o rigor profissional e científico, com o respeito pela dignidade dos doentes.

Em 10 de Dezembro de 2002, o hospital transformou-se numa sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, o Hospital de Santa Cruz, S.A.. Em 29 de dezembro de 2005, o hospital foi integrado no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E., juntamente com os Hospitais de Egas Moniz e de São Francisco Xavier.

 

Hospital de São Francisco Xavier

História do Hospital de São Francisco Xavier

 

O edifício que veio a dar origem ao Hospital de São Francisco Xavier foi criado em princípios dos anos 70, por uma entidade privada, com o nome de “Clínica do Restelo”, sendo vendido posteriormente à Companhia União Fabril - CUF sem nunca ter sido inaugurado.Tornou-se, entretanto, premente expandir a rede hospitalar de forma a melhor satisfazer as necessidades das populações, quer a nível de urgências, quer a nível de internamento.

A afluência catastrófica às urgências hospitalares de São José e de Santa Maria, as únicas da cidade durante muitos anos, a acumulação de doentes para internamento à espera de vagas em enfermarias e a degradação dos edifícios onde os hospitais se encontravam instalados, forçaram a criação de uma terceira zona de que viria a resultar o Hospital de São Francisco Xavier.

Em 1987 o Ministério da Saúde comprou então o edifício denominado "Clínica do Restelo" para nele instalar um novo hospital. Inaugurada a 24 de abril de 1987, esta nova instituição hospitalar foi criada, ao abrigo do Decreto-Lei nº 11/1986, de 5 de novembro, com o objetivo de prestar assistência médico-hospitalar à área ocidental de Lisboa. Foi dado à nova unidade hospitalar o nome de Hospital de São Francisco Xavier, por ser o nome da freguesia da zona de Lisboa ligada à partida dos portugueses para a Índia e por prestar assistência médica hospitalar à população da área ocidental de Lisboa.

O Decreto-Lei nº 279/2002, de 9 de dezembro, constituiu-o como sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, o Hospital de São Francisco Xavier, S.A., passando de um organismo da administração direta central do Estado para uma Empresa de Capitais Exclusivamente Públicos, sob a forma de sociedade anónima.

É considerado um Hospital Geral, Central, onde estão sediadas a Urgência Geral de grau 4, a Urgência Pediátrica e a Urgência Obstétrica da Zona Ocidental de Lisboa, abrangendo cerca de 1 milhão de habitantes.

Em 29 de dezembro de 2005, o hospital foi integrado no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E., juntamente com os Hospitais de Egas Moniz e de Santa Cruz.